O Gato Voltou!

Criar implica criatividade, espaço mental, disponibilidade, algo que só é plenamente conseguido depois de um merecido descanso... (são só desculpas para o longo interregno) regressamos agora com muito vigor e mais objectos originais. Resolvemos, conforme dito em post anterior, reformular o princípio deste blog, tornando-o não só interlocutor primeiro de criações, como também transformá-lo num registo informal do que vamos sentindo e do que nos é importante em cada momento.

Deixamos desde já o aviso de que, no próximo domingo dia 04/10 teremos inaugurações de produtos.

Pós-férias é sempre complicado... e o gato tem andado muito preguiçoso, mas não está a dormir! Tal como acontece na seguinte história que propomos aos nossos mais atentos seguidores.

Beijinhos a todos e muito obrigada!

Gato

 

O Gato das Botas

Era uma vez um moleiro que tinha três filhos. Um dia, chamou-os para lhes dizer que ia repartir por eles todos os seus bens. Ao mais velho deu o moinho, ao do meio deu o burro e ao mais novo deu o gato. O filho mais novo ficou muito triste porque o pai não tinha sido justo para com ele. Mas, surpresa das surpresas, o gato começou a falar! - 'Dá-me um saco e um par de botas'.

O rapaz ficou muito espantado e obedecendo ao pedido do gato e, no dia seguinte, lá foi comprar um saco e umas botas. - 'Aqui estão meu amigo!' disse ele. O gato calçou as botas, pegou no saco e lá foi floresta fora.

Como era muito esperto, não demorou muito a apanhar uma lebre bem gordinha, que pôs dentro do saco. Com o pesado saco às costas, o gato dirigiu-se ao castelo do rei e ofereceu-lhe a lebre, dizendo: - Majestade, venho da parte do meu amo o marquês de Carabás, trago-lhe esta linda lebre de presente. O rei ficou muito impressionado e contente com aquela atitude e disse: - Diz ao teu amo que lhe agradeço muito! Daí em diante o gato repetiu aquele gesto várias vezes, levando vários presentes ao rei e dizendo sempre que era uma oferta do seu amo.

Um dia, diz o gato a seu amo: - Senhor, tomai banho neste rio que eu trato de tudo. O gato esperou que a carruagem do rei passasse junto ao rio onde o seu amo tomava banho e pôs-se a gritar: - Socorro! Socorro! O meu amo, o marquês de Carabás, está a afogar-se! Ajudem-no! O rei mandou logo parar a carruagem e ajudou o marquês, dando-lhe belas roupas e convidando-o a passear com ele e com a filha, a princesa, na carruagem real.

O gato desata então a correr à frente da carruagem. Pela estrada fora, sempre que via alguém a trabalhar nos campos, pedia-lhes que dissessem que trabalhavam para o marquês de Carabás. O rei estava cada vez mais impressionado!

O gato chega por fim ao castelo do gigante, onde todas as coisas eram grandes e magníficas. O gato pede para ser recebido pelo gigante e pergunta-lhe: - É verdade que consegues transformar-te num animal qualquer? - É! disse o gigante. Então o gato pede-lhe que se transforme num rato. E assim foi. O gato que estava atento, deu um salto, agarrou o rato e comeu-o.

O rei, a princesa e o marquês de Carabás chegam ao castelo do gigante, onde são recebidos pelo gato: - Sejam bem vindos à propriedade do meu amo! diz o gato. O rei nem queria acreditar no que os seus olhos viam: - Tanta riqueza! Tem que casar com a minha filha, senhor marquês - diz o rei. E foi assim que, graças ao seu gato, o filho de um moleiro casou com a princesa mais bela do reino.

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